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Um mapa, um diagnóstico: o Brasil exporta valor ou oportunidade perdida?

  • Foto do escritor: Marcelo Lopes
    Marcelo Lopes
  • há 4 dias
  • 11 min de leitura

Atualizado: há 3 dias

O mapa das exportações brasileiras por estado – Figura 1 - revela, de forma simples e direta, um padrão que vai muito além de uma curiosidade estatística. Ele sintetiza um dilema central do desenvolvimento brasileiro: um país que domina a produção, mas ainda não controla a cadeia. Que exporta volumes crescentes, mas captura uma fração decrescente do valor gerado. Que possui conhecimento tecnológico reconhecido internacionalmente, mas enfrenta dificuldades persistentes em transformá-lo em base produtiva sustentada.


Mapa das exportações brasileiras por estado.

Figura 1 – Mapa das exportações brasileiras por estado.


1. UM PADRÃO CLARO: COMMODITIES DOMINAM


Ao observar o mapa, um elemento salta aos olhos: a forte concentração em produtos primários. Soja, petróleo, minério de ferro e proteínas animais dominam a pauta exportadora em praticamente todo o território nacional. Os números confirmam a impressão visual com precisão perturbadora.


Em 2025, o Brasil fechou o ano com superávit de US$ 68,3 bilhões na balança comercial, resultado de exportações recordes de US$ 348,7 bilhões e importações de US$ 280,4 bilhões — o terceiro maior saldo da série histórica, ficando atrás apenas dos resultados de 2023 (US$ 98,9 bilhões) e 2024 (US$ 74,2 bilhões). Porém, esse desempenho expressivo esconde um dado estrutural: a pauta continua ancorada em commodities. Pelo segundo ano consecutivo, o petróleo bruto liderou as exportações brasileiras, com US$ 44 bilhões em receitas. A soja ficou em segundo lugar, com US$ 43 bilhões, e o minério de ferro em terceiro, com US$ 26 bilhões. A soja, sozinha, respondeu por cerca de 14% do total exportado em 2025, tendo a China como destino de 73% de todo o volume embarcado.


Os volumes físicos confirmam o padrão: o minério de ferro atingiu embarques recordes de 416 milhões de toneladas, e o petróleo chegou a 98 milhões de toneladas — também recorde. Os bens agropecuários cresceram 7,1% em valor, liderados por café verde e soja.


Ao que se refere à composição da balança comercial, o Brasil ainda apresenta superávit em commodities e déficit industrial, sinalizando baixo nível de complexidade na cesta de exportações. O movimento de longo prazo é de aprofundamento, não de reversão: entre 2010 e o início dos anos 2020, a participação de produtos básicos nas exportações brasileiras subiu de 44,9% para cerca de 59%, enquanto a parcela de bens manufaturados recuou de 39% para cerca de 28%. Em outras palavras, de cada US$ 10 exportados pelo Brasil, aproximadamente US$ 7 são provenientes de bens básicos e semimanufaturados.


Na ponta das importações, o movimento é exatamente oposto: motores e máquinas (+29,6%) e medicamentos (+24,8%) foram os itens com maior alta nas importações em 2025 — bens de alto valor agregado que o Brasil não produz em escala suficiente. Esse padrão de comércio, típico de economias menos industrializadas, tem nome: é a reprimarização da pauta exportadora.


2. O PROBLEMA NÃO É EXPORTAR COMMODITIES


É importante fazer uma distinção fundamental, e ela precisa ser feita com cuidado para que o argumento não seja distorcido. Exportar commodities não é, em si, um problema. Países como Austrália e Canadá também possuem forte base exportadora em recursos naturais e constroem trajetórias sólidas de desenvolvimento a partir dela.


O problema surge quando essa especialização se cristaliza e limita a capacidade do país de avançar para etapas mais sofisticadas da produção. Quando o país produz, mas não transforma. Quando exporta volume, mas importa o conhecimento que gerou aquela produção. Quando o crescimento ocorre, mas a transformação estrutural permanece limitada.


A diferença entre o Brasil e os EUA no agronegócio ilustra o ponto com clareza. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 169,2 bilhões — cerca de 48,5% de tudo que o Brasil vendeu ao exterior —, com superávit setorial de US$ 149,07 bilhões (Ministério da Agricultura, jan/2026). No setor de proteínas, os recordes se acumularam: a carne bovina atingiu receita de US$ 18 bilhões (+40,1%), e o Brasil tornou-se pela primeira vez o terceiro maior exportador mundial de carne suína.


A comparação direta com os EUA em alimentos de maior valor agregado (US$ 11,8 bi norte-americanos contra US$ 756 mi brasileiros) permanece válida como referência estrutural, baseada nos dados de 2024 — último período com comparativo disponível.  A diferença não é de escala — é de posição na cadeia.


3. O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO: POTÊNCIA PRODUTIVA, DEPENDÊNCIA ESTRUTURAL


O caso do agronegócio brasileiro ilustra com exemplaridade essa tensão entre capacidade produtiva e dependência estrutural. O setor é responsável por aproximadamente 49% das exportações totais do Brasil e um dos mais eficientes do mundo em termos de produtividade. Mas ao examinar a cadeia de valor de perto, revela-se um quadro de dependência sistemática em praticamente todos os nós estratégicos, como pode ser visto esquematicamente na Figura 2.


Cadeia de valor do agronegócio brasileiro.

Figura 2 – Cadeia de valor do agronegócio brasileiro.


3.1 Máquinas agrícolas


A base tecnológica da produção é majoritariamente fornecida por multinacionais. Empresas como John Deere, CNH e AGCO dominam o mercado de máquinas agrícolas, incluindo os equipamentos mais sofisticados utilizados no campo brasileiro. O produtor rural mais produtivo do mundo opera, em grande medida, com equipamentos desenvolvidos e patenteados fora do país. Cada símbolo de progresso produtivo é também um fluxo de remessa de royalties para o exterior.


3.2 Sementes e biotecnologia


O desenvolvimento genético — um dos principais motores da produtividade agrícola brasileira — é amplamente controlado por grandes grupos globais como Bayer (que incorporou a Monsanto), Corteva e Syngenta. O Cerrado brasileiro produz soja com produtividade recorde graças, em parte, a sementes desenvolvidas por empresas cujas sedes e laboratórios de pesquisa ficam em outros continentes. A ciência que viabilizou a agricultura tropical é, em grande medida, propriedade de terceiros.


3.3 Fertilizantes e insumos: o caso mais crítico


No caso dos fertilizantes, a dependência externa atinge níveis que deveriam preocupar qualquer governo. Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, dos quais 43,3 milhões de toneladas foram importadas — dependência externa de 88,2%, novo recorde histórico, segundo a ANDA e a Conab. O custo anual estrutural das importações do complexo NPK permanece estimado em aproximadamente US$ 25 bilhões, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Para efeito de comparação: esse valor é superior ao PIB de vários países sul-americanos.


A dependência de nutrientes é ainda mais reveladora: 98% do potássio utilizado na agricultura brasileira é importado. Em 2025, a dependência externa do complexo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) atingiu 86,76% da oferta líquida — o Brasil produz internamente apenas 13,24% do que consome. Os fertilizantes representam, em média, 23% dos custos totais nas culturas de soja, milho e algodão — chegando a 40% especificamente na produção de soja.


O risco geopolítico dessa dependência foi escancarado em 2022, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia — dois dos maiores fornecedores de fertilizantes do Brasil — provocou disrupção no fornecimento e alta de preços. Segundo o Banco Mundial, o preço internacional da ureia subiu mais de 100% entre o final de 2021 e meados de 2022. O país, que exporta alimentos para meio mundo, ficou temporariamente reativo e vulnerável no insumo básico da sua agricultura.


Vale notar: o Brasil é o quarto maior consumidor global de fertilizantes, atrás apenas da China, da Índia e dos Estados Unidos. E é o maior importador mundial do complexo NPK. Temos a demanda, temos as matérias-primas em solo nacional (incluindo reservas de potássio e fósforo), temos o conhecimento técnico para produzir — mas não construímos a indústria.


3.4 Comercialização internacional


A comercialização é amplamente intermediada por grandes tradings globais — como Cargill, Bunge e Louis Dreyfus. Isso levanta uma questão que vai além da economia: o Brasil, muitas vezes, não vende diretamente — é comprado dentro de cadeias globais organizadas por terceiros. Para a China, destino de 28,7% das exportações brasileiras totais em 2025, o Brasil exportou US$ 100 bilhões — segundo maior valor histórico da relação bilateral, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC, jan/2026) — mas quem organiza, financia e cobra a margem dessa intermediação não são empresas brasileiras.


3.5 Logística internacional


O transporte marítimo, essencial para o comércio global, também é dominado por empresas estrangeiras. Desde a extinção do Lloyd Brasileiro, o país não construiu uma alternativa nacional relevante nesse setor estratégico. Em 2024, 99,43% da importação de fertilizantes entrou pelo modal marítimo, em navios que não são brasileiros, operados por armadores que não são brasileiros, com frete que não fica no país.


3.6 EMBRAPA e a Rede Brasil de Tecnologia: o caminho existiu


Seria um erro interpretar esse quadro como ausência de capacidade tecnológica doméstica.


O Brasil construiu, ao longo das décadas, instituições de excelência. A EMBRAPA é o exemplo mais notável: em 2024, seu balanço social registrou impacto positivo de R$ 107,24 bilhões, dos quais R$ 102,09 bilhões foram atribuídos diretamente aos benefícios econômicos de suas tecnologias inovadoras.


Mais do que isso, houve tentativas concretas de transformar esse conhecimento em base produtiva.


A criação da Rede Brasil de Tecnologia (RBT), em 2003, representou um esforço estruturado nesse sentido. O modelo era sofisticado: identificar demandas concretas da indústria, articular centros de pesquisa e empresas, selecionar projetos por meio de editais e garantir financiamento para sua produção.


No setor de agronegócios, a EMBRAPA desempenhava papel central. A lógica era clara: oferecer ao mercado tecnologias já desenvolvidas internamente e conectar empresas interessadas em transformá-las em produtos.


Os editais administrados pela FINEP tornavam públicos serviços, processos, produtos e equipamentos disponíveis, permitindo que empresas se candidatassem a assumir a produção com apoio financeiro e cooperação com instituições científicas.


Os números mostram que não se tratava de uma ideia abstrata. Em 2004, a EMBRAPA ofertou 28 projetos, dos quais 9 foram aprovados. Em 2005, foram 59 projetos ofertados e 13 selecionados.


Os dados agregados confirmam a escala da iniciativa. No setor de agronegócio, foram estruturados 22 projetos — nove aprovados em 2004 e treze em 2005 — totalizando aproximadamente R$ 4,5 milhões em investimentos voltados à transformação de tecnologias em produtos.


Mais do que os números, o desenho do programa evidencia sua sofisticação. A Rede não apenas identificava demandas e articulava parcerias, mas também selecionava empresas, financiava o desenvolvimento de protótipos, apoiava os custos de registro e garantia mercado para as soluções desenvolvidas.


O foco era claro: viabilizar a passagem do conhecimento para o produto. Como destacado por dirigentes da própria EMBRAPA à época, muitas dessas tecnologias já existiam, mas careciam de um apoio adicional decisivo para se converterem em soluções disponíveis no mercado.


Esses projetos incluíam tecnologias concretas: equipamentos para redução do uso de agrotóxicos, máquinas agrícolas adaptadas à realidade brasileira, soluções para processamento de produtos e inovação em cadeias produtivas regionais.


Em outras palavras, o país chegou a estruturar um modelo completo:


  • geração de conhecimento

  • identificação de demandas

  • articulação entre atores

  • financiamento

  • incentivo à produção nacional


O objetivo era explícito: transformar conhecimento em riqueza, fortalecer a indústria nacional, reduzir importações e ampliar o registro de patentes.


O ponto crítico, no entanto, está na continuidade.


Como ocorre com frequência na trajetória de políticas públicas no Brasil, essas iniciativas não foram sustentadas ao longo do tempo com consistência. O resultado foi a interrupção de processos que poderiam ter contribuído para a formação de empresas nacionais em segmentos estratégicos.


O Brasil demonstrou ser capaz de construir o caminho.


O desafio tem sido percorrê-lo de forma consistente.


4. O PADRÃO ESTRUTURAL


O resultado desse conjunto de dependências é consistente e mensurável. O Brasil participa das cadeias globais de valor, mas ocupa predominantemente suas etapas iniciais. Produz, mas não controla. Exporta, mas não captura a maior parte do valor gerado ao longo da cadeia.


Um estudo da UNCTAD citado pelo IEDI alerta que países em desenvolvimento dependentes de commodities tendem a permanecer presos por longos períodos em situação de baixo crescimento do PIB, fraco desenvolvimento socioeconômico, instabilidade macroeconômica e alta exposição a choques e à volatilidade dos preços internacionais. Não é uma condenação — é um alerta.


A relação comercial com a China torna esse padrão ainda mais nítido. O Brasil exporta para a China predominantemente produtos básicos — US$ 9 em cada US$ 10 exportados são commodities, liderados por minério de ferro (20%), soja e petróleo. E importa da China quase exclusivamente produtos manufaturados — US$ 10 em cada US$ 10 importados. Esse padrão de comércio tem nome no jargão acadêmico: é uma relação “centro-periferia”, e aprofunda, ano a ano, nossa dependência das exportações de commodities.


5. O CONTRASTE INTERNACIONAL


Esse padrão contrasta com experiências bem-sucedidas de transformação produtiva — e a China é o exemplo mais contundente, justamente porque é nosso principal parceiro comercial.


Antes da reforma e abertura de 1978, a China caracterizava-se por exportar produtos agrícolas. Na década de 1980, suas exportações eram dominadas por bens industriais leves e têxteis. Na década de 1990, transitou para produtos mecânicos e elétricos de segmento médio. No início dos anos 2000, começou a escalar para produtos de alto valor agregado, como ferrovias de alta velocidade, energia nuclear e equipamentos de grande escala. Em 2009, as exportações chinesas de alta tecnologia já representavam 31% das exportações industriais totais do país. Para a China, destino de 28,7% das exportações brasileiras totais em 2025, o Brasil exportou US$ 100 bilhões — segundo maior valor histórico da relação bilateral, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC, jan/2026)


A estratégia chinesa não foi casual. O governo chinês lançou sucessivos planos de desenvolvimento científico e tecnológico desde a década de 1980, com consistência e horizonte de longo prazo. O 11º Plano Quinquenal (2006-2010) mudou o foco de crescimento para atividades orientadas à inovação tecnológica. O “Made in China 2025” mira a liderança global em setores como robótica, inteligência artificial e biotecnologia. O comércio internacional, nesse modelo, não é apenas um fim — é um instrumento de aprendizado e acumulação de capacidades.


A ironia do destino é que, enquanto a China ascende na cadeia de valor com planos de longo prazo e consistência política, o Brasil é o principal fornecedor de commodities que alimentam essa ascensão. Somos o campo que nutre a fábrica do mundo.


6. CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS


Esse posicionamento nas cadeias globais tem implicações concretas e mensuráveis. A menor capacidade de inovação reflete-se na produtividade: o resultado do PIB de 2025 confirmou e aprofundou essa assimetria: a indústria de transformação encerrou o ano com queda de 0,2%, enquanto a indústria extrativa — sustentada por petróleo e minério — avançou 8,6% (IBGE, mar/2026).


O padrão é preciso: crescemos no que extraímos, enfraquecemos no que fabricamos. A indústria de transformação absorveu os maiores impactos do ciclo de aperto monetário, segundo o Ipea, enquanto os ramos de maior intensidade tecnológica seguiram sendo os mais penalizados.


A maior vulnerabilidade a ciclos de preços internacionais é estrutural: quando o preço da soja cai, o superávit comercial cai junto. Quando o custo do fertilizante sobe, a rentabilidade do produtor é corroída. Quando há conflito geopolítico envolvendo fornecedores de insumos, a produção brasileira fica exposta. Esse é o custo de depender das etapas de menor valor e maior exposição da cadeia produtiva.


Há também a limitação na geração de empregos qualificados. A produção de commodities, por sua natureza, gera menos empregos por unidade de valor produzido do que atividades industriais e de serviços tecnológicos. E os empregos que gera tendem a ser menos qualificados e mais concentrados geograficamente, reproduzindo desigualdades regionais.


Em síntese: o crescimento ocorre, mas a transformação estrutural permanece limitada. Os recordes da balança comercial são reais e merecem reconhecimento. Mas comemorar o recorde da balança sem examinar sua composição é como celebrar a velocidade de um corredor sem verificar se ele está correndo na direção certa.


7. O DESAFIO DO DESENVOLVIMENTO


A questão central não é abandonar o agronegócio ou os recursos naturais. Isso seria negar vantagens competitivas reais e desprezar o que já está construído. O desafio é outro, e pode ser formulado de maneira direta: como avançar na cadeia de valor a partir dessas bases?


Isso implica desenvolver capacidades em áreas específicas e estratégicas: biotecnologia para sementes e controle biológico de pragas; máquinas e equipamentos agrícolas de precisão; insumos estratégicos, especialmente fertilizantes (onde o próprio governo lançou um plano — o PNF — com meta de atingir 50% de produção nacional até 2050); logística e comercialização internacional com presença brasileira.


O Brasil tem os ingredientes. Tem conhecimento científico de primeira linha em instituições como EMBRAPA, USP, Unicamp, UFRGS e dezenas de outras. Tem mercado interno robusto que pode servir de base para escala. Tem uma agricultura tropical única no mundo que, por si só, é um ativo estratégico. O que faltou, historicamente, não foi capacidade — foi consistência.


Mais do que produzir mais, trata-se de produzir melhor — e capturar mais valor.


CONCLUSÃO


O mapa das exportações não mostra apenas o que o Brasil exporta. Mostra o lugar que o país ocupa nas cadeias globais de valor — e, principalmente, o espaço que ainda não conseguiu ocupar.


Mas o mapa revela algo ainda mais importante, e que precisa ser dito com clareza: o Brasil não falhou por falta de capacidade técnica ou conhecimento. A EMBRAPA está entre as maiores instituições de pesquisa agropecuária do mundo. A FINEP tem histórico de financiar transformações estruturais. A ciência brasileira gerou tecnologias que transformaram o Cerrado em uma das áreas agrícolas mais produtivas do planeta.


O problema não é de ciência. É de consistência. É de capacidade de sustentar, ao longo do tempo e das alternâncias de governo, as iniciativas necessárias para transformar conhecimento em base produtiva. É de construir políticas de estado, não apenas políticas de governo.


O Brasil demonstrou ser capaz de construir o caminho. O desafio permanente tem sido percorrê-lo de forma consistente. E é exatamente esse o desafio que um mapa de exportações dominado por commodities coloca diante de nós — não como acusação, mas como convocação.





Marcelo Lopes

Engenheiro e mestre em Engenharia de Produção. Atuou na formulação e gestão de políticas públicas nas áreas de ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento produtivo. Escreve sobre política industrial e estratégia tecnológica.

 
 
 

4 comentários

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Cristóvão Feil
Cristóvão Feil
há 4 dias
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Marcelo, foste no ponto crítico do tema. Nosso setor primário é moderno em abstrato. É sustentado por subvenção pública evidente e onerosa. Hoje, quase 50% da frota agrícola, tratores, colheitadeiras, etc, é agricultura de precisão. Mas usamos o GPS USA, que a qualquer momento pode ser desligado. Aliás, no ano passado o Trump chegou a cogitar disso. Examinando o quadro com atenção, como fizeste muito bem, pode-se cair em depressão. É lamentável. Parabéns pela acuidade do texto. Abraço!

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Marcelo Lopes
Marcelo Lopes
há 4 dias
Respondendo a

A situação é crítica, Cristóvão, mas como a produção é consistente, pode se transformar em oportunidade.

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Carlos Andrade
Carlos Andrade
há 4 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Ótima avaliação.

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Marcelo Lopes
Marcelo Lopes
há 4 dias
Respondendo a

Obrigado Carlos.

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